Dicas para montar uma palestra

31/08/2008

Já não lhe aconteceu de ouvir um palestrante que viaja na maionese e fala de assuntos que nada têm a ver com o tema? Sentiu-se enrolado por aquele que fala, fala e fala mas não diz nada de interessante? Frustrou-se com um palestrante que não liga coisa com coisa e deixa várias idéias no ar?

 

Situações como essas são comuns, mas podem ser evitadas com um bom planejamento. Planejar significa definir previamente o que será falado, como será falado e por que será falado. Isso ajuda a focar o tema, elaborar um conteúdo atraente e organizar as idéias com começo, meio e fim.

 

Se você está se preparando para dar uma palestra, aqui vão algumas dicas para o seu planejamento. Vale a pena investir algum tempo e esforço nisso. Afinal de contas, você não quer ser protagonista das situações citadas acima, quer???

 

Identifique o público – Se você for convidado para dar uma palestra, procure saber o máximo sobre o público que estará presente ao evento. Pergunte para quem o convida quais são os interesses, expectativas, necessidades e nível de informação dos ouvintes sobre o tema a ser tratado. A partir dessas informações, você terá uma idéia do que as pessoas precisam ou desejam ouvir e poderá criar uma palestra interessante e proveitosa para elas.

 

Defina o objetivo da palestra – Saber o que interessa ao público ainda não é tudo, pois ainda assim você corre o risco de falar sobre várias coisas e não chegar a lugar nenhum. É preciso definir o objetivo da palestra. Ensino meus alunos a utilizar uma frase que os ajudará nessa definição: “Ao final da palestra, desejo que meu público….”, bastando completar a frase com o objetivo desejado. Por exemplo: “Ao final da palestra, desejo que meu público sinta-se motivado a atingir suas metas em vendas” ou “compreenda a importância de trabalhar em equipe” ou “conheça os benefícios da alimentação funcional”.

 

Liste os tópicos da palestra – Tópicos são os assuntos ou pontos que você deverá abordar para que a palestra cumpra o objetivo definido. Liste os tópicos em uma sequência lógica, que ajude o ouvinte a acompanhar seu raciocínio. Depois de listá-los, comece a desenvolvê-los com os conhecimentos que você tem, textos de referência e fontes de informações sobre os assuntos. 

 

Escreva o texto da palestra – Embora possa ser um pouco trabalhoso, isso tem algumas vantagens. Primeiramente, você cria um script para ensaiar até ficar com a palestra na ponta da língua, o que lhe dará muita tranqüilidade e segurança para apresentá-la. Conforme trabalha com o texto, poderá sentir o ritmo da palestra e fazer ajustes se necessário: incluir algumas informações aqui, cortar uma passagem que ficou monótona ali, esquentar o clima com uma anedota acolá… Por fim, se tiver que repetir a palestra tempos depois, basta voltar a estudar o script e em pouco tempo você estará pronto para outra.

E agora, só me resta lhe desejar uma coisa: sucesso com sua palestra!
Leia também: artigo sobre vícios de linguagem   Veja a descrição meu curso sobre esse assunto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Será que você tem vícios de linguagem?

18/08/2008

Sim, é bem provável que você tenha pelo menos um vício de linguagem. A maioria de nós tem, por motivos que veremos mais adiante. Mas vamos começar este artigo pelo ponto de partida: de que vícios estamos falando?

 

Os gramáticos definem vícios de linguagem como desvios da norma-padrão (o português correto). Quem trabalha como oratória também usa o termo para referir-se a palavras, expressões e gírias que usamos a todo instante, e são esses casos que abordo aqui. Por exemplo: , não é?, certo?, , entende?, , hum, ééé, enfim, quer dizer, sabe?, olha só, então e outros. O gerundismo – a mania de dizer vou estar ligando e similares – também é um vício de linguagem.

 

O uso repetitivo de certas expressões deve ser combatido, pois empobrece nossa linguagem, cansa os interlocutores e chega a ser motivo de piada. Você mesmo já não tirou um barato de alguém que a todo instante falava “compreende?” ou terminava cada frase como um “”? Pois então. Somos bons em identificar os vícios dos outros. Só não conseguimos perceber os nossos próprios, mesmo porque são automáticos, são cacoetes.

 

O hábito é um dos fatores que fazem surgir vícios de linguagem. Um típico exemplo são as pessoas que usam o gerundismo: elas se acostumaram a dizer que vão estar fazendo isso e aquilo e usam essa forma de expressão a todo instante. O mesmo acontece com alguns jovens em relação a gírias. Meus filhos, que são adolescentes, não completam uma frase sem dizer tipo, ou velho. Um diálogo entre eles é mais ou menos assim:

 

- Nossa, velho, tô mó com fome!

- Tipo eu ontem, mó esqueci de levar o lanche pra escola.

- Mó estômago roncando, velho.

 

Muitas pessoas também caem nos vícios de linguagem porque sua fala é mais rápida que o pensamento. Enquanto o cérebro organiza as idéias, a boca continua falando – e como o pensamento não está completo surgem o né?, o entende ou o enfim, palavras que não dizem nada, apenas ocupam as brechas entre as idéias.

 

Você talvez esteja se perguntando como descobir seus vícios de linguagem. Bem, é muito simples. Basta observar-se para saber se repete alguma palavra ou expressão com muita freqüência. Se essa prática de auto-observação for difícil para você, grave suas conversas ao telefone, por exemplo, ou pergunte às pessoas mais próximas (e sinceras) se elas percebem vícios em sua fala.

 

Tornar-se consciente de um vício de linguagem é o primeiro passo para livrar-se dele. Caso você tenha algum por questão de hábito, eduque-se para não repetir o hábito. Caso seu problema seja falar mais rápido do que pensa, treine-se para falar mais pausadamente: com isso, você dará tempo para completar o pensamento e evitará os enfim, e quer dizer. Foi assim que me livrei do incômodo que usava repetidamente quando comecei a dar cursos. Certo dia me deram um toque que eu falava muito essa expressão, e a partir daí comecei a me policiar e falar mais pausadamente, até banir o de minhas frases.

Leia também: artigo sobre gerundismo


A importância de expandir o vocabulário

12/08/2008

Lembra dos testes de vocabulário que você fazia na escola? Aqui vai um deles, bem simplezinho:


1. Grassa:
(a) engraxa  (b) propaga  (c) encanta

2. Estertor:
(a) ruído respiratório  (b) insrumento cirúrgico  (c) tipo de profissão

3. Aquiescer:
(a) responder   (b) esclarecer   (c) consentir

4. Escusas:
(a) estranhas   (b) desculpas  (c) excluídas

E então, que tal o teste? Fácil? Difícil? Deu vontade de olhar no dicionário? Ou será que você pensou em perguntar algum significado para aquele seu tio que é craque em palavras cruzadas?

Um teste tão limitado não serve para avaliar a abrangência de seu vocabulário, é claro. Meu objetivo foi apenas fazê-lo refletir sobre a importância disso para a vida profissional e o desenvolvimento pessoal.

 

Veja, quanto mais palavras conhecemos, maior é nossa capacidade de expressão e compreensão da realidade, pois é por meio das palavras que adquirimos conhecimento.

 

Um estudo feito nos Estados Unidos demonstra, inclusive, que há uma ligação direta entre o tamanho do vocabulário das pessoas e a posição hierárquica que ocupam na empresa. Segundo essa pesquisa, profissionais que têm ocupações menos qualificadas dominam até 5 mil palavras; os que têm cargo de gerência, até 50 mil palavras; e os altos executivos dominam mais de 50 mil palavras.

 

O ideal é que nosso vocabulário esteja em constante expansão. Para isso, é fundamental cultivar o hábito da leitura, mas a boa leitura: jornais de grande circulação, livros de qualidade, revistas bem conceituadas. Mantenha um dicionário por perto e procure o significado de palavras que não conhece. E já que você consultará o dicionário, memorize a grafia do vocábulo. Conhecer muitas palavras é bom, escrevê-las corretamente é ainda melhor.

Palavras e estão para as idéias como os tijolos estão para as construções. Algumas centenas de tijolos bastam para fazer uma casa de quarto-sala-cozinha-banheiro, mas milhares são necessários para erguer uma catedral. E para edificar um vasto conhecimento e idéias sofisticadas, de quantas palavras você precisaria? Pense nisso.

Agora, confira as alternativas corretas:
1b; 2a; 3c; 4b

 


Erro de concordância verbal com porcentagem

11/08/2008

Esta pérola saiu no jornal O Estado de São Paulo de 8 de agosto. É o título de uma matéria do caderno Cidades:

“Violência contra a mulher – 61,5% das agredidas sofre ataque diário”

O correto é “sofrem”, para concordar com o sujeito ”61,5% das agredidas”, que está no plural. Fica assim: 61,5% das agredidas sofrem..

Mas vamos aproveitar o gancho para falar de concordância verbal envolvendo porcentagens, que sempre levanta dúvidas. Há três situações possíveis:

1. Quando se menciona o “todo” do qual é extraída a porcentagem, o verbo concorda com a expressão do “todo”. Por exemplo: Apenas 1% dos candidatos foram aprovados. Essa concordância está correta, pois “foram aprovados” deve concordar com “candidatos”, que é o “todo” – e está no plural. Veja mais estes exemplos:
Cerca de 10% da verba foi liberada
32% dos habitantes da cidade emigraram
Foram analisadas
60% das respostas da pesquisa

2. Quando não se menciona o “todo”, o verbo concorda com o número da porcentagem. Por exemplo: 80% votaram em José da Silva. Mais exemplos:
1% acredita nos políticos
60% apóiam a Lei Seca

3. Quando se usa uma expressão que designadora do numeral, o verbo concorda com a expressão. Ok, ok, isso aqui parece complicado, mas analise o exemplo que você saca rápido: Aquele 1% de eleitores acredita nos políticos. Veja, aqui o verbo “acredita” concorda com “aquele”, que é uma expressão designadora do numeral “1″. Mais exemplos:
Nossos 15% da comissão estão garantidos
Este 1% dos entrevistados acredita nos políticos 

Parece complicado, mas tem lá sua lógica… E em português, entender a lógica é quase todo caminho andado. Veja também: mais dicas de concordância verbal.