Outros vícios de linguagem

No artigo “Será que você tem vícios de linguagem?”, abordei a repetição de palavras e expressões que empobrecem nosso modo de falar. Neste aqui trato de expressões que utilizamos errada ou indevidamente, também consideradas vícios de linguagem. Há certas coisas que aprendemos a falar errado e continuamos falando vida afora, sem nem suspeitar que estão erradas! Será que você tem esse tipo de vício também? Para saber, dê uma olhada nos exemplos a seguir.

 

Independente do que as pessoas pensam, já tomei minha decisão.

Independente é adjetivo: por exemplo, país independente, criança independente. Não é o caso de usar adjetivo na frase acima, e sim o advérbio independentemente, que se refere a o que as pessoas pensam. 

 

Sua blusa está meia amassada.

O correto é meio amassada. “Meio” é advérbio e equivale a dizer “um pouco amassada”.

 

Algumas pessoas soam muito no calor.

Quem soa é sino. As pessoas suam.

 

Ouvi essa história há muito tempo atrás.

O correto é há muito tempo ou muito tempo atrás. As duas coisas juntas são redundância ou pleonasmo vicioso, como “subir para cima” e “resumo sintético”.

 

Tratava-se de um problema a nível de relacionamento.

O certo é simplesmente problema de relacionamento. “Ao nível de” equivale dizer “à altura de” e não cabe no contexto da frase acima.

 

Voltei por causa que senti saudade.

Jamais se diz por causa que. O certo é simplesmente por que.

 

A falta de estrutura que o município se encontra é deplorável.

O certo é em que. Trata-se de um erro de regência verbal.

 

Haviam 20 pessoas presas. 

O correto é havia. O verbo haver, usado com o sentido de existir, fica sempre no singular.

 

Fazem três horas que estou aqui.

O certo é faz. O verbo fazer, usado para indicar passagem de tempo, fica sempre no singular.

 

Na situação onde a maioria das pessoas se encontra, não há nada a fazer. 

O certo é em que. O advérbio “onde” só pode ser usado como equivalente de “o lugar em que”.

 

Estarei apresentando minha idéia agora.

Correção: vou apresentar ou apresentarei. Estarei apresentando é gerundismo.

 

A equipe que as vendas superarem as metas será premiada.

O certo é dizer cujas vendas. O pronome “cujo (a)” equivale a “de que” ou “do qual”.

 

A reunião começa ao meio dia e meio.

Meio dia e meio é um dia inteiro! O certo é meio dia e meia, já que “meia” diz respeito a “meia hora”.

 

A temperatura esta noite será de zero graus.

O certo é zero grau, já que zero é singular.

 

O gerente é o que tem menas chances de ser promovido.

O certo é menos. Por ser advérbio, “menos” não aceita flexão de gênero (masculino/feminino) nem número (singular/plural).

 

Espero que nossa empresa seje uma das líderes de mercado este ano.

“Seje” não existe na conjugação do verbo ser. O certo é seja.

 

Leia também artigos sobre o concordância verbal, o uso do pronome cujo, o uso do advérbio onde, gerundismo.

Uma resposta para “Outros vícios de linguagem”

  1. junior prado Disse:

    fantastico parabéns.

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