Pleonasmos redundantes

Outro dia, ao fuçar a Wikipedia, encontrei um artigo muito interessante sobre “tautologia”, o uso de palavras diferentes para expressar uma mesma idéia. Sinônimo de pleonasmo e redundância, a tautologia se revela em construções como “subir para cima” ou “descer para baixo”. Nem sempre, porém, as redundâncias são tão gritantes como nos exemplos que acabo de citar. Há muitas outras expressões do gênero que freqüentam quase despercebidamente nossas falas e textos. Aí vão algumas delas: fique ligado!

. novo lançamento (você já viu algum lançamento velho?)

. resumo sintético (se não é sintético, não é resumo)

. elo de ligação (elo é o que liga, faz conexão)
.
 acabamento final (sem comentários)
. certeza absoluta (será que dá para ter uma certeza relativa?)
. em duas metades iguais (e poderiam ser diferentes?)
. sintomas indicativos (sintoma é aquilo que indica)
. há 10 anos atrás (ou você diz “há 10 anos” ou “10 anos atrás”)
. vereador da cidade (do Estado é que não poderia ser)
. outra alternativa (alternativa é sinônimo de “outra opção)
. detalhes minuciosos (detalhe é sinônimo de minúcia)
. conviver junto (conviver é viver junto)
. fato real (você já ouviu falar de fato fictício?)
. encarar de frente (dá para encarar de costas?)
. amanhecer o dia (e anoitecer a noite…)
. empréstimo temporário (se fosse definitivo, seria doação)
. surpresa inesperada (se fosse esperada, não seria surpresa)
. escolha opcional (escolher já é optar)
. planejar antecipadamente (planejar é antecipar ações)
. abertura inaugural (conclusiva é que não poderia ser)
. comparecer em pessoa (até inventarem a projeção holográfica, não dá para comparecer de outro jeito)
. gritar bem alto (dá para gritar baixo?)
. propriedade característica (toda propriedade é também uma característica)
. demasiadamente excessivo (totalmente demais!)
 
Esses pleonasmos são mesmo redundantes, heim?
 

 



 

3 Respostas para “Pleonasmos redundantes”

  1. André Disse:

    Respeito a opinião daqueles que consideram como pelonasmo todos estes exemplos citados, mas, apesar de não ser um estudioso da língua portuguesa, acho-me no direito de manifestar a minha opinião: penso que não podemos considerar como erradas repetições que visam a reforçar uma idéia. Quando, por exemplo, algum interlocutor nosso duvida de alguma informação que repassamos, não há como resistirmos à tentação de proferir frases como “tenho certeza absoluta” ou “tenho absolutíssima certeza”.

    • reginagiannetti Disse:

      Tem razão, André, há situações em que o pleonasmo enfatiza uma idéia – a literatura prevê isso. Nesse caso, “ter certeza absoluta” até que passa…. Mas “amanheceu o dia”, “comparecer em pessoa”, “abertura inaugural” e outros vários da lista não se justificam.

  2. Edwiges maia Disse:

    Eu acredito que, quando usamos um pleonasmo, mesmo sem perceber, estamos querendo colocar forças em nossas palavras; como se o interlocutor não estivesse entendendo o que queremos expressar, ai “apelamos”, ou “recorremos” a ele. Também acredito na possibilidade de ser um “simples” vício de linguagem.

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