Parece que a reforma ortográfica da Língua Portuguesa, que entrou em vigor em 1o de janeiro, já começa a repercutir no mundo corporativo. Logo nos primeiros dias do ano, um repórter de um grande jornal de São Paulo me ligou para saber se executivos estavam em busca de cursos sobre a reforma. Pouco depois, fui procurada por uma empresa que desejava contratar palestra sobre o assunto. Pensei com meus botões: então as pessoas estão mesmo preocupadas com as mudanças na forma de escrever o português!
Essa preocupação é louvável, sem dúvida. Mas espero que não desvie o foco de questões ainda mais importantes em matéria de comunicação escrita. Saber que caiu o acento de ideia e voo pouco acrescenta à qualidade do texto de um profissional que ignora a pontuação das frases. Saber que contra-senso escreve-se agora contrassenso não melhora muito a imagem de alguém que erra em concordância verbal. Saber que não se usa mais trema faz pouca diferença na comunicação de alguém que escreve e-mails confusos, prolixos e pouco objetivos.
Assim, se você é um dos profissionais preocupados em ficar por dentro da reforma, vá em frente – mas sabendo que conhecer as novas regras está longe de ser o suficiente. Aproveite que seu interesse está voltado para a Língua Portuguesa e olhe um pouco além da reforma ortográfica. Procure saber em que aspectos da gramática você precisa aperfeiçoar-se e se a forma como escreve é clara, concisa e objetiva. Para isso, peça a opinião de pessoas que escrevem bem – amigos, parentes, colegas de trabalho ou profissionais das letras. Os feedbacks recebidos indicarão se é o caso de você buscar um curso de reciclagem em português ou treinamento em comunicação escrita.
E quanto à reforma ortográfica em si, sossegue, pois não é nenhum bicho de sete cabeças. Especialistas calculam que ela altera a grafia de não mais do que 2% das palavras. Parte dessas mudanças são fáceis de memorizar. É o caso:
. Das palavras que levavam trema, como freqüente e seqüência. O trema foi extinto, de modo que passamos a escrever frequente, sequencia, quinquenio, linguiça etc;
. Das palavras terminadas em ôo e êm. Esse acento caiu, e com isso escreve-se voo, leem, enjoo, perdoo, creem, veem etc;
. Das palavras pára (do verbo parar), pêlo (do bigode, do braço), pêra (fruta), fôrma (de bolo) e pólo (esporte). Agora elas não são mais acentuadas: escreve-se para, pelo, pera, forma e polo.
Já as mudanças no uso do hífen, na acentuação nos ditongos abertos éi e ói em paroxítonas (como nas palavras idéia, paranóia, heróico, geléia) e da letra u em alguns casos são um pouco mais detalhadas difíceis de memorizar. Nesses casos, é melhor consultar um dos vários guias da reforma ortográfica ou novos dicionários já disponíveis no mercado. Logo você também terá a ajuda de novas versões de corretores ortográficos para computador, sites de internet e sabe lá o que mais vão inventar…
Por último, não se aflija para assimilar imediatamente a nova ortografia. Estamos ainda em um período de transição, no qual temos o direito de errar. Só a partir de 2012 é que a concordância com as novas regras será formalmente exigida.
26/05/2009 às 18:04 |
Segundo o guia da Michaelis é “sequência” e não “sequencia”.
26/05/2009 às 18:24 |
Bem observado, André. Sequência é proparoxítona e como tal deve ser acentuada. Pelo visto, quando cortei o trema de cima do U, foi junto o acento circunflexo do E, rsrs