Humor de chefe é contagioso

Estudos científicos comprovam aquilo que muitos de nós sentem na própria pele: o bom ou mau humor de um líder contagia toda a sua equipe e, por tabela, afeta o desempenho dela. A constatação é de Daniel Goleman, autor do famoso livro Inteligência Emocional, e de seus colegas Richard Boyatzis e Annie McKee, também estudiosos do comportamento humano.

Na visão dos pesquisadores, o que determina se o líder é amigável ou insuportável, bem ou mal humorado, de fácil ou difícil relacionamento é seu grau de inteligência emocional (IE) – e esse grau, dizem eles, gera o clima do ambiente de trabalho. “Nossas pesquisas mostram que um líder com alto nível de IE gera um clima em que florescem o compartilhamento de informações, o aprendizado, a confiança e a capacidade de assumir riscos; baixo nível de IE gera um ambiente em que predominam o medo e a ansiedade”, afirmam os três em artigo escrito para a Harvard Business Review.

Agora, adivinhe qual dos chefes consegue extrair o melhor de seus colaboradores: o de baixa ou alta IE? Bem, para o caso de você estar em dúvida, os autores do artigo esclarecem que é o líder com alto grau de inteligência emocional. “As pessoas ao redor deste vêem as coisas de uma perspectiva mais positiva, o que os faz otimistas sobre atingir suas metas, estimula sua criatividade e a eficiência de sua tomada de decisão”.

Mas qual seria a explicação científica para isso? Goleman e seus colegas nos contam que a chave do mistério está no funcionamento de uma área do cérebro denominada “sistema límbico”, responsável pelo gerenciamento das emoções. Diferentemente de outras áreas cerebrais que funcionam como sistemas fechados e não sofrem nenhuma interferência externa, o sistema límbico é aberto e, portanto, suscetível à influência externa – mais precisamente, a influência emocional de outras pessoas.

Os autores citam uma série de pesquisas realizada nos Estados Unidos e que mostram como os seres humanos captam os sentimentos uns dos outros. Nessas experiências, inúmeros grupos de pessoas foram monitorados durante reuniões de trabalho, conversas e até situações em que estavam em completo silêncio; o que se observou foi que, passado algum tempo, os integrantes mais expressivos desses grupos haviam “contaminado” os demais com sua emoções. Até mesmo os sinais fisiológicos das pessoas do grupo, como batimentos cardíacos e pressão sanguínea, entraram em sintonia.

Em vista disso e considerando que os líderes, por sua própria posição, exercem forte influência sobre os colaboradores, dá para imaginar o “poder de contágio” que o estado de espírito do chefe tem em relação à equipe… Por essas e por outras, quem exerce uma função de liderança precisa, definitivamente, investir no desenvolvimento de sua inteligência emocional, pois ela é um poderoso instrumento de motivação e estímulo da alta performance dos liderados.

 

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