Na verdade, o erro no uso da crase é daqueles para que pouca gente liga, pois é um equívoco que não compromete o sentido de uma frase, não causa mal-entendido nem contradições. Mas para você que está empenhado em escrever corretamente e com clareza, a crase é como a “cereja do pudim”. É o detalhe que revela uma pessoa atenta e cuidadosa. E para ter um bom texto, realmente, é preciso dar muita atenção aos detalhes!
Para que você entenda a lógica da crase, é preciso que relembremos uma regrinha. Vamos lá, faça uma força. Volte aos seus tempos de ginásio e veja seu professor de português ensinando que crase é a junção do artigo “a” com a preposição “a”. Crase é a+a, lembra? Não lembra? Calma, não entre em pânico! Veja os exemplos abaixo e você vai se lembrar:
Vou à escola amanhã. Equivale dizer: vou a(para) a escola amanhã.
Entregou os óculos à tia. Equivale dizer: entregou os óculos a(para) a tia.
Você, que é um leitor esperto, deve ter percebido que a crase só apareceu antes de nomes ou substantivos femininos (à escola, à porta, à tia), pois um dos “a” que forma a crase corresponde ao “a” que acompanha o feminino. Com base nessa lógica, formulei três dicas infalíveis para você nunca mais errar. Guarde bem:
1. Não há crase antes de verbos. É lógico! Verbo não tem gênero. Não é masculino nem feminino. Logo, ele não pede um dos “a” que forma a crase.
Exemplos: prazo a contar, imagem a preservar, valores a somar, compras a fazer, tarefas a cumprir, pagamento a combinar
2. Não há crase antes de elementos masculinos. Elementar, meu caro leitor! Ou você coloca “a” antes de coisas de macho?
Confira: vendas a prazo, fogão a gás, passeio a cavalo, avião a jato, traje a rigor, ferro a vapor, entregou a João, dirigiu-se a São Paulo, bem-vindo a Vinhedo
3. Só há crase antes de elementos femininos. Essa eu nem preciso explicar, né?
bem-vindo à Bahia, estou à espera
PORÉM… fique esperto. NEM SEMPRE HÁ CRASE ANTES DE ELEMENTOS FEMININOS. Isso acontece quando o “a” é apenas artigo ou apenas preposição. Veja só: perguntei a Maria (perguntei para Maria), fogão a lenha (fogão de lenha), feito a mão (feito com mão), ensino a distância (ensino em distância), casa a venda (casa para venda)
Sei que você pode estar espumando de raiva agora, imaginando que eu o enganei com minhas dicas infalíveis etc e tal. Se a dica é infalível, como pode ela ter uma exceção? Eu me defendo: você já viu regra de português que não tem exceção??? Mas calma, não vou deixar você desamparado. Há uma dica que elimina 90% das dúvidas nesses casos. É simples: basta substituir o elemento feminino por um similar masculino. Se na substituição aparecer “ao” em lugar do “a”, então há crase. Veja só:
Vire à esquerda tem crase porque um similar seria vire ao lado
Saio à meia-noite tem porque um similar seria saio ao meio-dia
Casa a venda não tem porque um similar seria casa a aluguel
Fogão a lenha não tem porque um similar seria fogão a gás
É isso aí: entenda a lógica da crase e você não erra nunca mais!!
Escrito por reginagiannetti