Uso de abreviações (erros comuns em e-mails)

15/07/2009

O uso de palavras e expressões abreviadas aparece em terceiro lugar no ranking dos 10 erros mais comuns em e-mails segundo estudo de uma consultoria americana*.

Imagino que alguns leitores, especialmente os mais jovens, estejam indignados com o fato de que abreviar seja considerado errado, mas estamos nos referindo aos e-mails de uso corporativo, claro. É preciso fazer uma distinção entre as mensagens que trocamos como nossos amigos e as que escrevemos no trabalho – para um cliente, um chefe, um colega de outro departamento ou parceiro de negócios.

Com nossos amigos, temos liberdade para nos expressar de modo mais informal e próximo, e não há problema algum usar vc, tb, pq, blz, flw e outras abreviações que tornam o escrever mais prático. Já as mensagens que redigimos no trabalho devem refletir o modo como nos relacionamos com as pessoas do trabalho. Você fala de assuntos pessoais ou usa gírias com o gerente de uma empresa para o qual está apresentando seus produtos? Você chama o chefe pelo apelido de infância dele ou comenta detalhes sobre o último programa que fez com seu(a) namorado(a)? Pois é, imagino que você não tenha muita intimidade com essas pessoas, e por isso mesmo não cai bem usar com elas as mesmas formas de expressão que usa com aqueles que são mais chegados.

Além de dar um tom de informalidade às suas mensagens, as abreviações podem também não ser compreendidas por quem as lê, o que não é nada bom quando se trata de trabalho. Quem garante que o destinatário de sua mensagem entenderá que “px fds” significa “próximo fim de semana”? Você nunca viu pessoalmente muitas pessoas para quem manda e-mails, e certamente entre elas há quem não esteja acostumado com a linguagem do MSN, do Twitter ou das salas de bate-papo que há por aí. Pelo sim, pelo não, é melhor escrever as palavras com todas as letras para que ninguém interprete mal o que você quer dizer.

* Pesquisa realizada pela Sterling Consulting, dos EUA. Veja o post que originou esta série: Dez erros comuns em e-mails


Onde você põe o onde?

23/12/2008

O advérbio onde é uma palavra que transmite a idéia de localização. Equivale a dizer o lugar em que. Observe esses exemplos:

Onde (o lugar em que) guardei o documento é seguro.

Moro onde (no lugar em que) minha família sempre morou.
De onde (o lugar em que) vim isso não existe.
Onde (em que lugar) você estava?

Até aí, não falei nenhuma novidade, não é? O problema é que muita gente usa o onde como se fosse um curinga do baralho, ou seja, algo que cabe em qualquer situação para promover a ligação de idéias. Ao fazer isso, a pessoa não só comete erros gramaticais como também constrói frases capengas, que chegam a demonstrar falta de cultura. Veja agora algumas situações típicas do uso incorreto do onde.

Errado: Temos várias opções, onde a mais viável é esta que lhe apresentei.
Correto: Temos várias opções, das quais ( ou entre as quais) a mais viável é esta que lhe apresentei.

Errado: A empresa onde presto serviços me paga todo final de mês.
Correto: A empresa para a qual presto serviços me paga todo final de mês.

Errrado: Na situação onde estou já não há nada mais a fazer.
Correto: Na situação em que estou já não há nada mais a fazer.

Errado: A entrega está atrasada, onde se conclui que deve ter ocorrido algum problema.
Correto: A entrega está atrasada, de modo que (ou logo) se conclui que deve ter ocorrido algum problema.

Errado: Este aparelho, onde a mais moderna tecnologia é utilizada, é também muito barato. Correto: Este aparelho, no qual a mais moderna tecnologia é utilizada, é também muito barato.


Errado: O argumento onde o deputado se apóia é infundado.
Correto: O argumento em que (ou no qual) o cliente se baseia é infundado.

Errado: Você é a pessoa onde deposito minha total confiança.
Correto: Você é a pessoa em que (ou na qual) deposito minha total confiança.

Muita gente também faz confusão com as palavras onde e aonde, que não têm o mesmo sentido. E qual seria a diferença entre elas? Como você acaba de ver, onde faz referência a uma localização. É usado quando estiver implícita a idéia de o lugar em que. Já o aonde faz referência a um destino, uma direção. É usado quando estiver implícita a idéia de o lugar a que ou o lugar para que. Veja só:

Aonde (a que lugar) esses juros altos irão nos levar!
Você pretende ir aonde (a que lugar)?
Aonde (o lugar a que) vou é um lugar desconhecido.

A partir de agora, veja lá onde você põe o onde, heim?


Armadilhas da regência verbal

12/10/2008

Trouxemos as coisas que você precisa.

O vôo chegará amanhã em São Paulo.

Entrei e saí da casa em instantes.

 

Você vê algo de errado nas frases acima? Se não vê (ou vê e não sabe o que é), acaba de cair nas armadilhas da regência verbal, o capítulo da gramática que trata das relações entre os verbos e seus complementos.

 

Alguns verbos, chamados transitivos diretos, ligam-se diretamente aos complementos (objetos diretos), sem a necessidade de preposição. Assim:

 

Limpamos a casa (quem limpa, limpa alguma coisa)

Bebi o café (quem bebe, bebe alguma coisa)

Ouvia o rádio (quem ouve, ouve alguma coisa)

 

Já os transitivos indiretos ligam-se aos complementos (chamados objetos indiretos) por meio de uma preposição. Exemplos:

 

Necessito de dinheiro (quem necessita, necessita de alguma coisa)

Concordo com você (quem concorda, concorda com alguma coisa)

Luto por meus direitos (quem luta, luta por alguma coisa)

 

Agora, fique atento, pois é justamente nessa dobradinha verbo-preposição que estão as armadilhas da regência verbal. Aí vão elas:

 

 

Armadilha 1: Omitir a preposição que o verbo pede

 

A notícia desagradou os funcionários? Não, desagradou aos funcionários, pois quem desagrada, desagrada a alguém.

 

Este é o relatório que preciso? Não, é o relatório de que preciso, pois quem precisa, precisa de alguma coisa.

 

Aquela é a casa que moro? Não, é a casa em que moro, pois quem mora, mora em algum lugar.

 

Luiz é o amigo que emprestei dinheiro? Não, é o amigo a quem emprestei dinheiro, pois quem empresta, empresta a alguém.

 

 

Armadilha 2: Errar a preposição que o verbo pede

 

Chegarei amanhã em São Paulo? Não: chegarei a São Paulo, pois quem chega, chega a algum lugar.

 

Oferecemos descontos para os clientes? Não: oferecemos aos clientes, pois quem oferece, oferece a alguém. 

 

Habituei-me com esses problemas? Não, habituei-me a esses problemas, pois quem se habitua, habitua-se a alguma coisa.

 

Requeri meus direitos para a Justiça? Não, requeri à Justiça, pois quem requere, requere a alguém.

 

 

Armadilha 3: Associar verbos com regências diferentes ao mesmo complemento

 

Não concordou e rejeitou a proposta? De jeito nenhum: não concordou com a proposta e a rejeitou. Concordar pede a preposição “com”; rejeitar não pede preposição. Ambos não podem se ligar da mesma forma ao complemento “proposta”.

 

O gerente aprovará e trabalhará no projeto? Nada disso: o gerente aprovará o projeto e trabalhará nele. Aprovar não pede preposição, mas trabalhar pede “em”. Ambos não podem se ligar da mesma forma ao complemento “projeto”.

 

Entramos e saímos da casa em instantes? Nem pensar: entramos na casa e saímos dela em instantes. Quem entra, entra em, enquanto quem sai, sai de.

 

 

Se você quiser evitar essas armadilhas, só há um jeito: recorrer ao velho e bom dicionário. Consulte o significado do verbo em que você tem dúvida e verifique, nos exemplos, como ele se liga ao complemento.

 

 

 

 


Outros vícios de linguagem

21/09/2008

No artigo “Será que você tem vícios de linguagem?”, abordei a repetição de palavras e expressões que empobrecem nosso modo de falar. Neste aqui trato de expressões que utilizamos errada ou indevidamente, também consideradas vícios de linguagem. Há certas coisas que aprendemos a falar errado e continuamos falando vida afora, sem nem suspeitar que estão erradas! Será que você tem esse tipo de vício também? Para saber, dê uma olhada nos exemplos a seguir.

 

Independente do que as pessoas pensam, já tomei minha decisão.

Independente é adjetivo: por exemplo, país independente, criança independente. Não é o caso de usar adjetivo na frase acima, e sim o advérbio independentemente, que se refere a o que as pessoas pensam. 

 

Sua blusa está meia amassada.

O correto é meio amassada. “Meio” é advérbio e equivale a dizer “um pouco amassada”.

 

Algumas pessoas soam muito no calor.

Quem soa é sino. As pessoas suam.

 

Ouvi essa história há muito tempo atrás.

O correto é há muito tempo ou muito tempo atrás. As duas coisas juntas são redundância ou pleonasmo vicioso, como “subir para cima” e “resumo sintético”.

 

Tratava-se de um problema a nível de relacionamento.

O certo é simplesmente problema de relacionamento. “Ao nível de” equivale dizer “à altura de” e não cabe no contexto da frase acima.

 

Voltei por causa que senti saudade.

Jamais se diz por causa que. O certo é simplesmente por que.

 

A falta de estrutura que o município se encontra é deplorável.

O certo é em que. Trata-se de um erro de regência verbal.

 

Haviam 20 pessoas presas. 

O correto é havia. O verbo haver, usado com o sentido de existir, fica sempre no singular.

 

Fazem três horas que estou aqui.

O certo é faz. O verbo fazer, usado para indicar passagem de tempo, fica sempre no singular.

 

Na situação onde a maioria das pessoas se encontra, não há nada a fazer. 

O certo é em que. O advérbio “onde” só pode ser usado como equivalente de “o lugar em que”.

 

Estarei apresentando minha idéia agora.

Correção: vou apresentar ou apresentarei. Estarei apresentando é gerundismo.

 

A equipe que as vendas superarem as metas será premiada.

O certo é dizer cujas vendas. O pronome “cujo (a)” equivale a “de que” ou “do qual”.

 

A reunião começa ao meio dia e meio.

Meio dia e meio é um dia inteiro! O certo é meio dia e meia, já que “meia” diz respeito a “meia hora”.

 

A temperatura esta noite será de zero graus.

O certo é zero grau, já que zero é singular.

 

O gerente é o que tem menas chances de ser promovido.

O certo é menos. Por ser advérbio, “menos” não aceita flexão de gênero (masculino/feminino) nem número (singular/plural).

 

Espero que nossa empresa seje uma das líderes de mercado este ano.

“Seje” não existe na conjugação do verbo ser. O certo é seja.

 

Leia também artigos sobre o concordância verbal, o uso do pronome cujo, o uso do advérbio onde, gerundismo.


Mais dicas de concordância verbal

14/09/2008

Prometi publicar um post com outras dicas sobre concordância verbal, e aí vão elas. Divirta-se!

        

 

Faz duas horas ou fazem duas horas?

Sempre que o verbo fazer é usado para significar passagem de tempo, fica no singular. A mesma regra vale para os verbos haver e dar quando empregados na mesma situação:

 

. Faz duas horas que estou esperando.

. Os funcionários não se reuniam havia três meses.

. Ontem fez dois anos que mudei de emprego.

. Deu três horas e o caminhão não chegou.

 

 

É duas horas ou são duas horas?

O certo é são duas horas. O verbo ser, usado para indicar passagem de tempo, concorda com o numeral. O mesmo vale para datas e distâncias.

 

. Era 1h30 quando o pessoal departamento saiu para o almoço.

. Serão 10 da manhã quando o jogo terminar.

. De São Paulo a Campinas são 100 quilômetros.

. Eram 15 de setembro quando foi assinado o contrato.

 

Atenção: quando se inclui na frase a palavra dia, o verbo concorda com dia:

.Era dia 15 de setembro quando foi assinado o contrato.

 

 

Há ou hão?

Sempre que o verbo haver é empregado com o sentido de existir, fica no singular.

 

. certas coisas que acontecem e não têm explicação.

. Em minhas contas, havia umas 100  pessoas na fila.

 

 

Vende-se casas ou vendem-se casas?

Os gramáticos consideram correto vendem-se casas, sob o argumento de que o “se” é um pronome apassivador. Ou seja: a expressão é uma maneira alternativa de dizer casas são vendidas, que é uma oração em voz passiva. Sempre que surgirem situações semelhantes, coloque a expressão na voz passiva e veja o que dá. Os exemplos explicam tudo:

 

. Alugam-se galpões

Se você mudar a oração para a voz passiva, ela ficará galpões são alugados. Se galpões são alugados, então alugam-se galpões.

 

. Oferecem-se vagas.

Na voz passiva, a frase fica vagas são oferecidas. Se vagas são oferecidas, oferecem-se vagas.

 

. Aceitam-se reservas até 18h00.

Na voz passiva, a expressão fica reservas são aceitas. Se reservas são aceitas, então aceitam-se reservas.

 

. Procuram-se  voluntários.

Na voz passiva: voluntários são procurados. Se voluntários são procurados, então procuram-se voluntários.

 

 

Precisa-se de funcionários ou precisam-se de funcionários?

Embora esse caso seja muito parecido com o anterior (vendem-se casas), não se engane: o correto, aqui, é precisa-se de funcionários. Isso porque a inversão para a voz passiva não dá certo: funcionários são precisos. Esquisitíssimo, não é? Sempre que a inversão não der certo, o verbo não vai para o plural, pois, na verdade, o “se” indica que o sujeito é indeterminado. Ou seja: alguém não determinado precisa de funcionários. Veja mais estes exemplos:

 

. Necessita-se de doações.

A inversão para a voz passiva fica estranha: doações são necessitadas. Então trata-se de sujeito indeterminado e o verbo fica no singular.

 

. Come-se bem nos restaurantes da cidade.

A inversão da frase para a voz passiva não tem pé nem cabeça: nestes quiosques são comidos bem. Logo, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular.

 

. Trata-se de pessoas confiáveis.

A inversão para a voz passiva dá pessoas confiáveis são tratadas. Nada a ver! Eis outro caso de sujeito indeterminado, e o verbo fica no singular.

 

 

O grupo de alunos vai ou vão?

O certo é o grupo de alunos vai. Toda vez que o sujeito inclui um substantivo coletivo (grupo, bando, multidão, coleção etc), o verbo concorda com o coletivo.

 

. Uma multidão de clientes formava fila na porta da loja.

. A assembléia de funcionários está votando pelo fim da greve.

 

 

A maioria das pessoas vai ou vão?

A gramática admite as duas possibilidades. No primeiro caso, o verbo concorda com o termo a maioria; no segundo, concorda com a expressão das pessoas. O uso de um ou de outro depende daquilo que se quer destacar – se é a maioria ou se são as pessoas. A mesma regra vale para expressões similares, como a maior parte de, grande parte de, metade de, grande número de. Veja os exemplos:

 

. A maioria das pessoas prefere (ou preferem) fazer compras parceladas sem juros.

. Grande parte das encomendas está (ou estão) com atrasos.

. A metade das vendas foi (ou foram) para clientes pessoa física.

. A maior parte dos negócios aconteceu (ou aconteceram) no segundo semestre.
Veja também: concordância com porcentagens


A importância de expandir o vocabulário

12/08/2008

Lembra dos testes de vocabulário que você fazia na escola? Aqui vai um deles, bem simplezinho:


1. Grassa:
(a) engraxa  (b) propaga  (c) encanta

2. Estertor:
(a) ruído respiratório  (b) insrumento cirúrgico  (c) tipo de profissão

3. Aquiescer:
(a) responder   (b) esclarecer   (c) consentir

4. Escusas:
(a) estranhas   (b) desculpas  (c) excluídas

E então, que tal o teste? Fácil? Difícil? Deu vontade de olhar no dicionário? Ou será que você pensou em perguntar algum significado para aquele seu tio que é craque em palavras cruzadas?

Um teste tão limitado não serve para avaliar a abrangência de seu vocabulário, é claro. Meu objetivo foi apenas fazê-lo refletir sobre a importância disso para a vida profissional e o desenvolvimento pessoal.

 

Veja, quanto mais palavras conhecemos, maior é nossa capacidade de expressão e compreensão da realidade, pois é por meio das palavras que adquirimos conhecimento.

 

Um estudo feito nos Estados Unidos demonstra, inclusive, que há uma ligação direta entre o tamanho do vocabulário das pessoas e a posição hierárquica que ocupam na empresa. Segundo essa pesquisa, profissionais que têm ocupações menos qualificadas dominam até 5 mil palavras; os que têm cargo de gerência, até 50 mil palavras; e os altos executivos dominam mais de 50 mil palavras.

 

O ideal é que nosso vocabulário esteja em constante expansão. Para isso, é fundamental cultivar o hábito da leitura, mas a boa leitura: jornais de grande circulação, livros de qualidade, revistas bem conceituadas. Mantenha um dicionário por perto e procure o significado de palavras que não conhece. E já que você consultará o dicionário, memorize a grafia do vocábulo. Conhecer muitas palavras é bom, escrevê-las corretamente é ainda melhor.

Palavras e estão para as idéias como os tijolos estão para as construções. Algumas centenas de tijolos bastam para fazer uma casa de quarto-sala-cozinha-banheiro, mas milhares são necessários para erguer uma catedral. E para edificar um vasto conhecimento e idéias sofisticadas, de quantas palavras você precisaria? Pense nisso.

Agora, confira as alternativas corretas:
1b; 2a; 3c; 4b

 


Erro de concordância verbal com porcentagem

11/08/2008

Esta pérola saiu no jornal O Estado de São Paulo de 8 de agosto. É o título de uma matéria do caderno Cidades:

“Violência contra a mulher – 61,5% das agredidas sofre ataque diário”

O correto é “sofrem”, para concordar com o sujeito ”61,5% das agredidas”, que está no plural. Fica assim: 61,5% das agredidas sofrem..

Mas vamos aproveitar o gancho para falar de concordância verbal envolvendo porcentagens, que sempre levanta dúvidas. Há três situações possíveis:

1. Quando se menciona o “todo” do qual é extraída a porcentagem, o verbo concorda com a expressão do “todo”. Por exemplo: Apenas 1% dos candidatos foram aprovados. Essa concordância está correta, pois “foram aprovados” deve concordar com “candidatos”, que é o “todo” – e está no plural. Veja mais estes exemplos:
Cerca de 10% da verba foi liberada
32% dos habitantes da cidade emigraram
Foram analisadas
60% das respostas da pesquisa

2. Quando não se menciona o “todo”, o verbo concorda com o número da porcentagem. Por exemplo: 80% votaram em José da Silva. Mais exemplos:
1% acredita nos políticos
60% apóiam a Lei Seca

3. Quando se usa uma expressão que designadora do numeral, o verbo concorda com a expressão. Ok, ok, isso aqui parece complicado, mas analise o exemplo que você saca rápido: Aquele 1% de eleitores acredita nos políticos. Veja, aqui o verbo “acredita” concorda com “aquele”, que é uma expressão designadora do numeral “1″. Mais exemplos:
Nossos 15% da comissão estão garantidos
Este 1% dos entrevistados acredita nos políticos 

Parece complicado, mas tem lá sua lógica… E em português, entender a lógica é quase todo caminho andado. Veja também: mais dicas de concordância verbal.


Abaixo o gerundismo!

30/06/2008

 

Certa vez, numa loja de presentes, perguntei à vendedora se determinado artigo estava disponível em cores diferentes da exibida na vitrine. Ela respondeu: “Um minutinho por favor, estarei verificando o estoque”. Logo depois, voltava para me dizer: “Infelizmente não vamos estar tendo o produto nessas cores que a senhora pediu…” Ainda bem que a loja não tinha o que eu procurava, pois eu não agüentaria ouvir a fala afetada da vendedora por muito tempo. Por que não dizer simplesmente “vou verificar o estoque” ou “não temos as cores a senhora pediu”?

 

Eis aí um típico exemplo de gerundismo, um vício de linguagem que, apesar de duramente combatido, ainda sobrevive na fala de muita gente. Na agência bancária, o gerente diz que “vai estar solicitando” o meu extrato. No atendimento telefônico, alguém anuncia que “vai estar transferindo” a ligação para o setor competente. No restaurante, o garçom pergunta se eu gostaria de “estar experimentando” a especialidade da casa.

 

Parece que as pessoas falam assim porque acham bonito, chique ou mais educado dizer “vou estar tendo” em lugar de simplesmente “tenho”. Só que, em vez de demonstrar boa educação e cultura, estão falando abobrinha. A praga do gerundismo origina-se de erros de tradução dos manuais de telemarketing, importados dos EUA. Algum tradutor perneta deve ter visto uma frase do tipo “I will be calling” e mandou ver um “estarei ligando” na tradução, quando o certo seria apenas “vou ligar“.

 

Bom, chega de bronca. Vamos falar sobre o gerúndio corretamente empregado, que é o que realmente interessa.

 

Só para relembrar, gerúndio é uma forma verbal que descreve uma ação em curso – ou seja, algo que está, estará ou esteve acontecendo. Exemplos de verbos no gerúndio: levando, perdendo, fingindo, compondo.

 

Sozinho, o gerúndio não faz sentido; por isso, precisa ser associado com outros verbos que indicam a pessoa, o tempo e o modo da ação. Por exemplo:

Ela está trabalhando duro esta semana.
Estive lendo a noite inteira.
Amanhã, a esta hora, estaremos viajando para a França.

É nessa associação que o pessoal exagera, criando formas rocambolescas para dizer coisas simples. A associação dos verbos vou, estar e tendo, por exemplo, só é adequada para descrever uma ação contínua futura. Se alguém perguntar o que você estará fazendo amanhã de manhã, você poderá responder, com toda propriedade: “vou estar trabalhando” ou “estarei trabalhando”, o que é ainda melhor. Agora, se alguém pergunta se você tem um telefone celular para emprestar, não tem nada que dizer “sim, vou estar tendo”: diga simplesmente “tenho”, ora bolas.  

 

 Pense duas vezes antes de usar o gerúndio. Se em vez de dizer “vou estar ligando” você puder dizer “vou ligar”, fique com a segunda opção.O uso inadequado do gerúndio está para a língua portuguesa assim como o babado no punho da camisa está para a moda: nada a ver!

 

Veja também: artigo sobre vícios de linguagem


Acerte na crase… para sempre!

30/06/2008

É incrível como se encontram erros de crase em anúncios, letreiros, faixas e placas comerciais expostos nas ruas. É preços “à partirde aqui, vendas “à prazo” acolá, fogão “à gás” mais adiante… Um festival de aberrações!

Na verdade, o erro no uso da crase é daqueles para que pouca gente liga, pois é um equívoco que não compromete o sentido de uma frase, não causa mal-entendido nem contradições. Mas para você que está empenhado em escrever corretamente e com clareza, a crase é como a “cereja do pudim”. É o detalhe que revela uma pessoa atenta e cuidadosa. E para ter um bom texto, realmente, é preciso dar muita atenção aos detalhes!

Para que você entenda a lógica da crase, é preciso que relembremos uma regrinha. Vamos lá, faça uma força. Volte aos seus tempos de ginásio e veja seu professor de português ensinando que crase é a junção do artigo “a” com a preposição “a”. Crase é a+a, lembra? Não lembra? Calma, não entre em pânico! Veja os exemplos abaixo e você vai se lembrar:

Vou à escola amanhã. Equivale dizer: vou a(para) a escola amanhã.

Bateu à porta. Equivale dizer: bateu a(em) a porta.
Entregou os óculos à tia. Equivale dizer: entregou os óculos a(para) a tia.

Você, que é um leitor esperto, deve ter percebido que a crase só apareceu antes de nomes ou substantivos femininos (à escola, à porta, à tia), pois um dos “a” que forma a crase corresponde ao “a” que acompanha o feminino. Com base nessa lógica, formulei três dicas infalíveis para você nunca mais errar. Guarde bem:

1. Não há crase antes de verbos. É lógico! Verbo não tem gênero. Não é masculino nem feminino. Logo, ele não pede um dos “a” que forma a crase.

Exemplos: prazo a contar, imagem a preservar, valores a somar, compras a fazer, tarefas a cumprir, pagamento a combinar

2. Não há crase antes de elementos masculinos. Elementar, meu caro leitor! Ou você coloca “a” antes de coisas de macho?

Confira: vendas a prazo, fogão a gás, passeio a cavalo, avião a jato, traje a rigor, ferro a vapor, entregou a João, dirigiu-se a São Paulo, bem-vindo a Vinhedo

3. Só há crase antes de elementos femininos. Essa eu nem preciso explicar, né?

Veja: vou à empresa, chego à uma hora, chego às 11 horas, vou à secretaria, terminei às pressas,
bem-vindo à Bahia, estou à espera

PORÉM… fique esperto. NEM SEMPRE HÁ CRASE ANTES DE ELEMENTOS FEMININOS. Isso acontece quando o “a” é apenas artigo ou apenas preposição. Veja só: perguntei a Maria (perguntei para Maria), fogão a lenha (fogão de lenha), feito a mão (feito com mão), ensino a distância (ensino em distância), casa a venda (casa para venda)

Sei que você pode estar espumando de raiva agora, imaginando que eu o enganei com minhas dicas infalíveis etc e tal. Se a dica é infalível, como pode ela ter uma exceção? Eu me defendo: você já viu regra de português que não tem exceção??? Mas calma, não vou deixar você desamparado. Há uma dica que elimina 90% das dúvidas nesses casos. É simples: basta substituir o elemento feminino por um similar masculino. Se na substituição aparecer “ao” em lugar do “a”, então há crase. Veja só:

Vire à esquerda tem crase porque um similar seria vire ao lado
Saio à meia-noite tem porque um similar seria saio ao meio-dia
 

Casa a venda não tem porque um similar seria casa a aluguel
Fogão a lenha não tem porque um similar seria fogão a gás

É isso aí: entenda a lógica da crase e você não erra nunca mais!!

 

 


Curso “Otimizando a comunicação por e-mail”

30/06/2008

Devido aos avanços da tecnologia e o modo integrado como as empresas trabalham hoje, a troca de mensagens escritas é uma importante atividade para a maioria dos profissionais. Muitos, porém, têm dificuldades para redigir textos objetivos, claros e bem estruturados. Há ainda os que cometem erros de português ou não utilizam uma linguagem adequada para o ambiente de negócios. Nessas situações, podem ser comprometidos os resultados obtidos com as mensagens e a imagem de quem as escreve.

Objetivos do curso
* Transmitir técnicas para a estruturação de mensagens do dia-a-dia do trabalho, com destaque para o e-mail
* Dar dicas para a adequação de linguagem e modo de tratamento do destinatário
* Permitir ao aluno identificar suas deficiências no uso do idioma – “Quais são meus problemas e onde estou errando?”

Público-alvo
Profissionais autônomos ou que fazem carreira em empresas e utilizam mensagens escritas na comunicação com clientes externos e internos, fornecedores e parceiros

Conteúdo
* Princípios básicos da comunicação
* Como ser objetivo na redação de mensagens
* A estrutura da mensagem conforme sua finalidade: informar, relatar, expor um ponto de vista, fazer uma solicitação e dar retorno de uma solicitação
* E-tiqueta (a etiqueta do e-mail)

* A linguagem adequada para o ambiente profissional
* Evitando os erros mais comuns: ortografia, crase, pontuação, regência verbal e concordâncias verbal/nominal

Duração: 8 horas

Leia também artigos sobre este tema:
Ao escrever e-mail, primeiro comunique, depois explique