Resumo da reforma ortográfica

15/02/2009

Repasso a você, caro leitor, uma prática tabela com as mudanças da reforma ortográfica que entrou em vigor no começo deste ano. O material foi elaborado pelo professor Sérgio Nogueira e foi originalmente publicado no G1 – portal da Rede Globo. Sugestão: imprima a tabela e cole-a na primeira página da agenda, ou no mural da sua sala de trabalho, ou na parede ao lado do computador… Até a gente se acostumar com as novas regras, é bom ter onde tirar as dúvidas.

 

Leia também o artigo “Um pouco além da reforma ortográfica”

 

Clique aqui para acessar a tabela 

 

 


Palestra “Um pouco além da reforma ortográfica – do que você precisa para escrever bem”

14/01/2009

A entrada em vigor do novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa, em 1o. de janeiro de 2009, provoca um misto de curiosidade e preocupação no mundo corporativo. O senso comum indica que é importante escrever de acordo com as novas regras, evitando assim erros ortográficos que comprometem a imagem profissional. Conhecer as mudanças e adotá-las, porém, é apenas um dos aspectos da proficiência em escrita: o profissional que deseja comunicar-se bem precisa saber ser objetivo e dominar as regras gramaticais em geral. Assim, o que se propõe com essa palestra é adotar a reforma como “gancho” para uma discussão mais profunda sobre a competência em comunicação escrita e indicar alguns caminhos para aprimorar essa competência.

 

 

Objetivos

* Transmitir de forma sintética e descomplicada as principais mudanças introduzidas pela reforma

* Conscientizar o público para outras questões essencias da boa escrita: objetividade, clareza e adequação da linguagem

* Proporcionar o autodiagnóstico sobre o domínio do idioma com relação a abrangência de vocabulário, uso da pontuação e da crase, concordâncias verbal e nominal

*Motivar para o contínuo aperfeiçoamento em língua portuguesa

 

 

Conteúdo

* Reforma ortográfica: por que foi adotada e o que muda em nossa forma de escrever

* Como formular uma mensagem objetiva

* A linguagem apropriada para o ambiente de trabalho

* Domínio do vocabulário x ascensão profissional

* A influência da pontuação no sentido e no tom de uma mensagem

* Como a falta de concordância verbal e/ou nominal confunde o leitor e compromete a imagem de quem escreve

*Aprendendo a usar a crase

 

 

Duração: 120 minutos

 

Diferencial
A palestra é bem-humorada e pontuada por testes, jogos e exercícios, por meio dos quais as pessoas se dão conta de suas necessidades para o aprimoramento da comunicação. Assim, promove-se de forma leve e divertida a tomada de consciência sobre as questões tratadas, sem causar desconfortos nem constrangimentos.


Onde você põe o onde?

23/12/2008

O advérbio onde é uma palavra que transmite a idéia de localização. Equivale a dizer o lugar em que. Observe esses exemplos:

Onde (o lugar em que) guardei o documento é seguro.

Moro onde (no lugar em que) minha família sempre morou.
De onde (o lugar em que) vim isso não existe.
Onde (em que lugar) você estava?

Até aí, não falei nenhuma novidade, não é? O problema é que muita gente usa o onde como se fosse um curinga do baralho, ou seja, algo que cabe em qualquer situação para promover a ligação de idéias. Ao fazer isso, a pessoa não só comete erros gramaticais como também constrói frases capengas, que chegam a demonstrar falta de cultura. Veja agora algumas situações típicas do uso incorreto do onde.

Errado: Temos várias opções, onde a mais viável é esta que lhe apresentei.
Correto: Temos várias opções, das quais ( ou entre as quais) a mais viável é esta que lhe apresentei.

Errado: A empresa onde presto serviços me paga todo final de mês.
Correto: A empresa para a qual presto serviços me paga todo final de mês.

Errrado: Na situação onde estou já não há nada mais a fazer.
Correto: Na situação em que estou já não há nada mais a fazer.

Errado: A entrega está atrasada, onde se conclui que deve ter ocorrido algum problema.
Correto: A entrega está atrasada, de modo que (ou logo) se conclui que deve ter ocorrido algum problema.

Errado: Este aparelho, onde a mais moderna tecnologia é utilizada, é também muito barato. Correto: Este aparelho, no qual a mais moderna tecnologia é utilizada, é também muito barato.


Errado: O argumento onde o deputado se apóia é infundado.
Correto: O argumento em que (ou no qual) o cliente se baseia é infundado.

Errado: Você é a pessoa onde deposito minha total confiança.
Correto: Você é a pessoa em que (ou na qual) deposito minha total confiança.

Muita gente também faz confusão com as palavras onde e aonde, que não têm o mesmo sentido. E qual seria a diferença entre elas? Como você acaba de ver, onde faz referência a uma localização. É usado quando estiver implícita a idéia de o lugar em que. Já o aonde faz referência a um destino, uma direção. É usado quando estiver implícita a idéia de o lugar a que ou o lugar para que. Veja só:

Aonde (a que lugar) esses juros altos irão nos levar!
Você pretende ir aonde (a que lugar)?
Aonde (o lugar a que) vou é um lugar desconhecido.

A partir de agora, veja lá onde você põe o onde, heim?


Mais dicas de concordância verbal

14/09/2008

Prometi publicar um post com outras dicas sobre concordância verbal, e aí vão elas. Divirta-se!

        

 

Faz duas horas ou fazem duas horas?

Sempre que o verbo fazer é usado para significar passagem de tempo, fica no singular. A mesma regra vale para os verbos haver e dar quando empregados na mesma situação:

 

. Faz duas horas que estou esperando.

. Os funcionários não se reuniam havia três meses.

. Ontem fez dois anos que mudei de emprego.

. Deu três horas e o caminhão não chegou.

 

 

É duas horas ou são duas horas?

O certo é são duas horas. O verbo ser, usado para indicar passagem de tempo, concorda com o numeral. O mesmo vale para datas e distâncias.

 

. Era 1h30 quando o pessoal departamento saiu para o almoço.

. Serão 10 da manhã quando o jogo terminar.

. De São Paulo a Campinas são 100 quilômetros.

. Eram 15 de setembro quando foi assinado o contrato.

 

Atenção: quando se inclui na frase a palavra dia, o verbo concorda com dia:

.Era dia 15 de setembro quando foi assinado o contrato.

 

 

Há ou hão?

Sempre que o verbo haver é empregado com o sentido de existir, fica no singular.

 

. certas coisas que acontecem e não têm explicação.

. Em minhas contas, havia umas 100  pessoas na fila.

 

 

Vende-se casas ou vendem-se casas?

Os gramáticos consideram correto vendem-se casas, sob o argumento de que o “se” é um pronome apassivador. Ou seja: a expressão é uma maneira alternativa de dizer casas são vendidas, que é uma oração em voz passiva. Sempre que surgirem situações semelhantes, coloque a expressão na voz passiva e veja o que dá. Os exemplos explicam tudo:

 

. Alugam-se galpões

Se você mudar a oração para a voz passiva, ela ficará galpões são alugados. Se galpões são alugados, então alugam-se galpões.

 

. Oferecem-se vagas.

Na voz passiva, a frase fica vagas são oferecidas. Se vagas são oferecidas, oferecem-se vagas.

 

. Aceitam-se reservas até 18h00.

Na voz passiva, a expressão fica reservas são aceitas. Se reservas são aceitas, então aceitam-se reservas.

 

. Procuram-se  voluntários.

Na voz passiva: voluntários são procurados. Se voluntários são procurados, então procuram-se voluntários.

 

 

Precisa-se de funcionários ou precisam-se de funcionários?

Embora esse caso seja muito parecido com o anterior (vendem-se casas), não se engane: o correto, aqui, é precisa-se de funcionários. Isso porque a inversão para a voz passiva não dá certo: funcionários são precisos. Esquisitíssimo, não é? Sempre que a inversão não der certo, o verbo não vai para o plural, pois, na verdade, o “se” indica que o sujeito é indeterminado. Ou seja: alguém não determinado precisa de funcionários. Veja mais estes exemplos:

 

. Necessita-se de doações.

A inversão para a voz passiva fica estranha: doações são necessitadas. Então trata-se de sujeito indeterminado e o verbo fica no singular.

 

. Come-se bem nos restaurantes da cidade.

A inversão da frase para a voz passiva não tem pé nem cabeça: nestes quiosques são comidos bem. Logo, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular.

 

. Trata-se de pessoas confiáveis.

A inversão para a voz passiva dá pessoas confiáveis são tratadas. Nada a ver! Eis outro caso de sujeito indeterminado, e o verbo fica no singular.

 

 

O grupo de alunos vai ou vão?

O certo é o grupo de alunos vai. Toda vez que o sujeito inclui um substantivo coletivo (grupo, bando, multidão, coleção etc), o verbo concorda com o coletivo.

 

. Uma multidão de clientes formava fila na porta da loja.

. A assembléia de funcionários está votando pelo fim da greve.

 

 

A maioria das pessoas vai ou vão?

A gramática admite as duas possibilidades. No primeiro caso, o verbo concorda com o termo a maioria; no segundo, concorda com a expressão das pessoas. O uso de um ou de outro depende daquilo que se quer destacar – se é a maioria ou se são as pessoas. A mesma regra vale para expressões similares, como a maior parte de, grande parte de, metade de, grande número de. Veja os exemplos:

 

. A maioria das pessoas prefere (ou preferem) fazer compras parceladas sem juros.

. Grande parte das encomendas está (ou estão) com atrasos.

. A metade das vendas foi (ou foram) para clientes pessoa física.

. A maior parte dos negócios aconteceu (ou aconteceram) no segundo semestre.
Veja também: concordância com porcentagens


Erro de concordância verbal com porcentagem

11/08/2008

Esta pérola saiu no jornal O Estado de São Paulo de 8 de agosto. É o título de uma matéria do caderno Cidades:

“Violência contra a mulher – 61,5% das agredidas sofre ataque diário”

O correto é “sofrem”, para concordar com o sujeito ”61,5% das agredidas”, que está no plural. Fica assim: 61,5% das agredidas sofrem..

Mas vamos aproveitar o gancho para falar de concordância verbal envolvendo porcentagens, que sempre levanta dúvidas. Há três situações possíveis:

1. Quando se menciona o “todo” do qual é extraída a porcentagem, o verbo concorda com a expressão do “todo”. Por exemplo: Apenas 1% dos candidatos foram aprovados. Essa concordância está correta, pois “foram aprovados” deve concordar com “candidatos”, que é o “todo” – e está no plural. Veja mais estes exemplos:
Cerca de 10% da verba foi liberada
32% dos habitantes da cidade emigraram
Foram analisadas
60% das respostas da pesquisa

2. Quando não se menciona o “todo”, o verbo concorda com o número da porcentagem. Por exemplo: 80% votaram em José da Silva. Mais exemplos:
1% acredita nos políticos
60% apóiam a Lei Seca

3. Quando se usa uma expressão que designadora do numeral, o verbo concorda com a expressão. Ok, ok, isso aqui parece complicado, mas analise o exemplo que você saca rápido: Aquele 1% de eleitores acredita nos políticos. Veja, aqui o verbo “acredita” concorda com “aquele”, que é uma expressão designadora do numeral “1″. Mais exemplos:
Nossos 15% da comissão estão garantidos
Este 1% dos entrevistados acredita nos políticos 

Parece complicado, mas tem lá sua lógica… E em português, entender a lógica é quase todo caminho andado. Veja também: mais dicas de concordância verbal.


Por que, por quê, porque ou porquê?

03/07/2008

Essa nossa língua portuguesa é mesmo cheia de sutilezas… Imagine só, quatro maneiras diferentes de escrever a mesma coisa! É nessas horas que a gente fica com inveja de quem fala inglês e só precisa usar duas palavras (aliás, bem diferentes) para a maioria das situações: why e because. Simples! Mas nós, que falamos o idioma de Camões, temos que entender essa barafúrdia. Bem, vamos lá.

 

1. Usa-se “por que”:

a. Nas perguntas: 

Por que você não me ligou ontem?

Por que razão eu deveria reconsiderar?

Por que é melhor vender a prazo do que à vista?

Por que você quer saber?

 

b. Sempre que ele puder ser substituído pelas expressões “pelo qual”, “o motivo pelo qual” e “a razão pela qual”:

Não sabemos por que (o motivo pelo qual) ela faltou ao trabalho hoje..

Gostaria de saber por que (a razão pela qual) estamos atrasados.

Eis por que (o motivo pelo qual) eu não pude vir ontem.

Não sabemos a justificativa por que (pela qual) o pedido foi recusado.

A causa por que (pela qual) lutamos é justa.

As alternativas por que (pelas quais) optamos são inviáveis.

 

 

2. Usa-se “por quê”:

Quando o “por que” estiver no final da frase. Exemplos:

Não haverá reunião por quê?

As coisas não saíram como previ, não sei por quê.

Estamos fora da concorrência e nem imaginamos por quê.

 

Dica: na linguagem falada, o uso do “por quê” no final da frase é bastante comum. Já na linguagem escrita, é recomendável não usar essa forma nas perguntas, pois ela soa de forma agressiva. Sinta a diferença:

Você não pode vir à reunião por quê?

Por que você não pode vir à reunião?

 

 

3. Usa-se “porque”:

Quando ele for equivalente a “pois” ou “pelo fato de que”:

Adiamos o encontro porque (pois) surgiu um imprevisto.

Porque (pelo fato de que) o dólar subiu, tivemos de reajustar os preços.

A empresa trocou de fornecedor porque (pois) precisava de mais agilidade.

 

 

4. Usa-se porquê

Quando ele tiver a função de substantivo e puder ser substituído por “motivo”, “causa” ou “razão”:

Ainda não entendo o porquê (o motivo) da sua decisão.

Convocamos uma reunião para que o departamento jurídico explique os seus porquês (as suas razões).

O porquê (a causa) desse mal-entendido terá de ser esclarecido.

 

Sou capaz de apostar que você vai esquecer da maioria dessas regras assim que clicar no próximo link… E não o culpo por isso, elas são meio encardidas mesmo. Mas se você ficar em dúvida quando tiver de usar por que & Cia, corra aqui, ok?


Evite frases de duplo sentido

30/06/2008

As pessoas às vezes se distraem e escrevem coisas que deixam em dúvida quem lê os seus textos. Neste artigo, dou alguns exemplos de frases imprecisas e/ou ambíguas (de duplo sentido) que tenho visto por aí, muitas delas em jornais e revistas, para você ver como esse tipo de construção às vezes passa batido. Veja estes exemplos:

 

1. O vendedor disse ao cliente que seu preço estava incorreto
Do jeito que a frase está escrita, não é possível saber se o preço incorreto era o do vendedor ou o do cliente. Para não ter de explicar que focinho de porco não é tomada, é melhor reestruturar a frase de modo que a ambigüidade desapareça. Veja de quantas maneiras podemos dizer a mesma coisa, sem causar confusão:

O vendedor disse que o preço dado ao cliente estava incorreto.
O vendedor disse estar incorreto o preço que deu cliente.

Ou….
O cliente disse que o preço por ele recebido estava incorreto.
O cliente disse estar incorreto o preço que recebeu.

2. Cresce o consumo de suco feito de soja e iogurte.
O que se entende aqui é que cresceu o consumo de uma espécie de suco que mistura soja e iogurte. Para evitar o mal-entendido, a frase deveria ter a seguinte redação: Cresce o consumo de iogurte e de suco feito de soja.

3. Carlos pediu a José para assinar o contrato.

A frase dá margem a duas interpretações diferentes: 1) Carlos pediu que José assinasse o contrato; 2) Carlos pediu que José o deixasse assinar o contrato. Percebeu a diferença? Afinal, não se sabe quem assina o contrato! Duas redações alternativas para essa frase seriam: Carlos pediu a José que assinasse o contrato ou Carlos pediu para assinar o contrato a José.

 

4. Prédio da Unilever será implodido em Valinhos.

O sentido da frase aqui só não é ambíguo por causa do contexto. Ninguém imaginaria que o prédio da Unilever seria transportado até Valinhos e lá implodido, mas é isso que a frase está dizendo: que a implosão do prédio será em Valinhos. Uma redação correta para esse texto é: Prédio da Unilever em Valinhos será implodido.


5. Os representantes ficam à espera de clientes para ser contatados.

A construção da frase é confusa e deixa o leitor com a seguinte dúvida: a quem se refere a expressão “ser contatados”, aos representantes ou aos clientes? Para não dar margem a dupla interpretação, das duas uma: Os representantes ficam à espera de clientes para contatar ou Os representantes ficam à espera de ser contatados por clientes.


6. Testemunhas viram o homem passar pela janela.

O que se quis dizer com essa frase não é nada do que você entendeu. Não foi o homem que passou pela janela, mas as testemunhas que viram, pela janela, o homem passar. Uma redação mais clara seria: Pela janela, testemunhas viram o homem passar.


7. Torcedores botaram fogo no depósito que abalou as estruturas do estádio.

Não foi o depósito que abalou as estruturas do estádio, mas o fato de terem colocado fogo nele. O certo é: Torcedores botaram fogo no depósito, o que abalou as estruturas do estádio.

 

8. Papa abençoa fiéis do hospital.

O que se entende é que o papa abençoou os fiéis que estavam no hospital. Mas o que aconteceu foi que, do hospital, ele deu sua bênção aos fiéis. O certo, então, seria: Do hospital, papa abençoa fiéis.

Fique ligado para não escrever frases de duplo sentido! Antes de enviar documentos importantes, cartas, propostas ou e-mails ao destinatário, releia seu texto atentamente. Certifique-se de que suas frases são claras e precisas, não deixando margem a dúvida ou má interpretação. Peça a opinião de um colega se necessário.


Acerte na crase… para sempre!

30/06/2008

É incrível como se encontram erros de crase em anúncios, letreiros, faixas e placas comerciais expostos nas ruas. É preços “à partirde aqui, vendas “à prazo” acolá, fogão “à gás” mais adiante… Um festival de aberrações!

Na verdade, o erro no uso da crase é daqueles para que pouca gente liga, pois é um equívoco que não compromete o sentido de uma frase, não causa mal-entendido nem contradições. Mas para você que está empenhado em escrever corretamente e com clareza, a crase é como a “cereja do pudim”. É o detalhe que revela uma pessoa atenta e cuidadosa. E para ter um bom texto, realmente, é preciso dar muita atenção aos detalhes!

Para que você entenda a lógica da crase, é preciso que relembremos uma regrinha. Vamos lá, faça uma força. Volte aos seus tempos de ginásio e veja seu professor de português ensinando que crase é a junção do artigo “a” com a preposição “a”. Crase é a+a, lembra? Não lembra? Calma, não entre em pânico! Veja os exemplos abaixo e você vai se lembrar:

Vou à escola amanhã. Equivale dizer: vou a(para) a escola amanhã.

Bateu à porta. Equivale dizer: bateu a(em) a porta.
Entregou os óculos à tia. Equivale dizer: entregou os óculos a(para) a tia.

Você, que é um leitor esperto, deve ter percebido que a crase só apareceu antes de nomes ou substantivos femininos (à escola, à porta, à tia), pois um dos “a” que forma a crase corresponde ao “a” que acompanha o feminino. Com base nessa lógica, formulei três dicas infalíveis para você nunca mais errar. Guarde bem:

1. Não há crase antes de verbos. É lógico! Verbo não tem gênero. Não é masculino nem feminino. Logo, ele não pede um dos “a” que forma a crase.

Exemplos: prazo a contar, imagem a preservar, valores a somar, compras a fazer, tarefas a cumprir, pagamento a combinar

2. Não há crase antes de elementos masculinos. Elementar, meu caro leitor! Ou você coloca “a” antes de coisas de macho?

Confira: vendas a prazo, fogão a gás, passeio a cavalo, avião a jato, traje a rigor, ferro a vapor, entregou a João, dirigiu-se a São Paulo, bem-vindo a Vinhedo

3. Só há crase antes de elementos femininos. Essa eu nem preciso explicar, né?

Veja: vou à empresa, chego à uma hora, chego às 11 horas, vou à secretaria, terminei às pressas,
bem-vindo à Bahia, estou à espera

PORÉM… fique esperto. NEM SEMPRE HÁ CRASE ANTES DE ELEMENTOS FEMININOS. Isso acontece quando o “a” é apenas artigo ou apenas preposição. Veja só: perguntei a Maria (perguntei para Maria), fogão a lenha (fogão de lenha), feito a mão (feito com mão), ensino a distância (ensino em distância), casa a venda (casa para venda)

Sei que você pode estar espumando de raiva agora, imaginando que eu o enganei com minhas dicas infalíveis etc e tal. Se a dica é infalível, como pode ela ter uma exceção? Eu me defendo: você já viu regra de português que não tem exceção??? Mas calma, não vou deixar você desamparado. Há uma dica que elimina 90% das dúvidas nesses casos. É simples: basta substituir o elemento feminino por um similar masculino. Se na substituição aparecer “ao” em lugar do “a”, então há crase. Veja só:

Vire à esquerda tem crase porque um similar seria vire ao lado
Saio à meia-noite tem porque um similar seria saio ao meio-dia
 

Casa a venda não tem porque um similar seria casa a aluguel
Fogão a lenha não tem porque um similar seria fogão a gás

É isso aí: entenda a lógica da crase e você não erra nunca mais!!